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Texto - "Um novo mundo" Guilherme Read Cabral


A ciência diz-nos que o astro da noite é um planeta sem vida, destinado a iluminar -nos de noite e a regular, por uma forma misteriosa e por isso contestada, vários phenomenos da vida animal e vegetal e o curso das águas dos oceanos. Diz-nos que os mais astros do nosso systema planetário são fragmentos apenas daquela massa colossal em fusão, o sol, e que, por infinitamente mais pequenos, esfriaram no decurso de séculos, enquanto que o astro rei, tarde ou nunca esfriará, porque é a luz e a vida desses pedaços que ele cuspiu para o espaço e que, pela força centrífuga e centrípeta, giram perpetuamente em órbitas inalteráveis. Tão admirável, como incompreensível; e mais incompreensível ainda, essa infinidade d'estrelas, bastas como as areias das praias, que são outros tantos sóis, iluminando os seus mundos, invisíveis para nós; sões de todas as côres e, talvez, de natureza diferente. Que espectáculo não deve ser o do Universo aos olhos do criador! Depois, voltando-se para o Oceano, dizia: Carlos! Eu quando profundo mais do que ninguém estas águas, vejo o suficiente para julgar da riqueza da flora e da fauna dos mares que aumenta à proporção que descemos aos seus recessos aonde nunca chegaremos. Apenas a sonda nos traz um ou outro spécimen das opulências submarinas. Wyville Thomson, no Challenger, em 1873, investiga os mares do Atlântico e do Pacífico e descobre nas grandes profundidades peixes privados do órgão visual. D'aqui deduziu a ciência que essa faculdade se fazia desnecessária onde havia perpétua escuridão, por isso que os raios solares penetram a pequena distância da superfície. Seguem-se a expedição inglesa do Valerious em 1875, e a Escandinava do Vortigern em 1876; e em 1877 e 78, a Americana do Blake. Em 1880 e 82, o navio francês, Le Travailleur, profunda o golpho da Biscaia, o Mediterrâneo e o Atlântico; e em 1883, Le Talisman, munido de aparelhos mais aperfeiçoados e sob a direcção de Alphonse de Wilne Edwards, sonda os mares do Atlântico. É nestas derradeiras explorações que a ciência, até então na persuasão que a vida orgânica, devido à pressão e falta de claridade, não podia existir a mais de 560 metros da superfície, revela-nos que, na profundidade de 4500 metros, a pressão nada influi sobre a vida animal, e que, pelo contrário, os seres que habitam o fundo dos mares, trazidos pelas redes automáticas á superfície, chegados que são a certa altura, é a própria falta de pressão que lhes dilata os olhos, lhes escancara extraordinariamente a boca, fazendo expelir as entranhas, ou os esmaga e desfaz, à semelhança do que succede ao aeronauta quando sobe a regiões onde a atmosphera rareia e por falta de compressão, golfa-lhe o sangue pelos olhos, nariz, ouvidos e boca. Conheceu-se então que a claridade do sol, nulla naquelas profundidades, é substituída pela phosphorescence animal. As estrelas do mar, da espécie Ophiacantha Spinosa, transmitem uma luz brilhante esverdeada. Outros muitos viventes, em perpétuo movimento, levam a toda a parte uma luz phosphorescente natural. Os olhos de certos peixes são dotados d'ella, e serve-lhes de pharol nas suas peregrinações, iluminando as águas, menos abundantes de vida, e atraindo seres de que se alimentam, do mesmo modo que o nosso pescador se vale da luz do candeio. Ainda mais; longe, como se supunha, de que a vida orgânica, por falta de luz, deveria ser destituída de côr, conheceu-se que as côres são, pelo contrário, vivissimas e espantosa a sua variedade n aquelles grandes abismos. A ciência está longe de nos dizer a última palavra; mas o que nos ensina é já bastante para imaginar o que deverá ser a vida n aquelles recessos das águas.

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