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Exercício de digitação: "A tentação do Mar" Augusto Casimiro

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Texto completo para praticar

Exercício de digitação: "A tentação do Mar" Augusto Casimiro

feche e comece a digitar
Ponho-me às vezes a escutar, atento, A voz do sangue, a voz da minha raça... E em meus olhos, então, saudoso, passa Uma visão que é um deslumbramento! Em horas de amargura e de ansiedade, Quando os meus braços tombam de fadiga, - Ponho-me a ouvir aquela voz antiga Religiosamente, com saudade... É quando a noite cai silenciosa E uma tristeza oculta chora em nós, Que eu ouço aquela voz misteriosa E me esqueço a falar com meus avós! É quando alguém me diz que tudo é morto, Que a Pátria é morta e destruindo o lar... Quando vagueio pálido e absorto, Com amargura, e sem acreditar! É quando eu vejo a terra abandonada, O Passado esquecido... E escuto, além, Na escuridão da noite envergonhada, Insultarem a Pátria, a própria Mãe... Quando oiço o Mar ao longe, embravecido, Bolsando ao ar os negros vagalhões, No silêncio profundo e estarrecido, A cantar as estrofes de Camões... É quando, a luz amiga das estrelas, O Mar saudoso e bom, o Mar profundo, Julga, a sonhar, que embala caravelas Que vão partir a devassar o Mundo! Ficam-se os olhos húmidos, inquietos A interrogar em vão a noite escura... E eu sinto em mim a trágica amargura Dos destinos falhos, incompletos... Mas, numa aurora esplêndida e bendita É então, é então que em mim desperta E no meu sangue novo ressuscita O espírito da raça numa alerta! E no meu sangue, em turbilhões, a arder, Em orgulho e em fé e esforço altivo, Todas as glórias do Passado vivo, Todo o passado canta no meu ser!... ... Sam primeiro os indómitos pastores, Rudes, selvagens, livres, vagabundos, Gigantescos, erguidos nos pendores Das altas serras sob os céus profundos!... Vejo-os além de mim, longe, na bruma, Pelas encostas bárbaras da serra... E olham receosos a nevada espuma Dos abraços do Mar cingindo a Terra... Vejo-os cavando o solo... E o trigo cresce... - Olha as searas de oiro, os fructos loiros!... As enxadas ao Sol, - olhai, - parece Que cintilam no ar como tesouros... Vejo-os por fim á beira-Mar, um dia, Ouvindo as ondas células cantar... E já ostenta uma visão que erguia Aos olhos deles a canção do Mar... Vam-se á floresta... Brilham os machados... E os troncos descem, mortos, sobre os rios... Ei-los, na foz que se erguem, espantados, Ei-los no ar, sam mastros de navios... Depois, - ó dia grande! - eu vejo o Povo da minha Terra à beira-mar chorando... É o doirado romper dum tempo novo! Sam as velas, ao longe, navegando!... Pelo mar-fora vão, pela aventura, Levam somente a graça do Senhor! De asas abertas, pela noite escura, Nem as detém o próprio Adamastor... Vêde os mareantes, vêde os vagabundos, Percorrendo as longínquas solidões... Dam ao mundo espantado novos mundos!. . Dam ao Futuro os versos de Camões! Abrem a Idade-nova! E o mundo inteiro Viu-se maior, mais rico ao despertar, Pelo esforço do Povo-marinheiro Que atravessará e dominará o Mar... Grita em meu sangue a fúlgida epopeia, Chega-me a luz a arder de tantos sóis, Sobe do Mar da Glória a maré cheia, O Sol auréola as frontes dos heróis! E então em mim renasce o velho culto, O antigo amor, a vida vencedora... E em meus olhos ardentes passa o vulto Duma Pátria a sorrir como uma aurora. Pulsa irrequieto, a arder, meu sangue novo. Rasga-se ao meu olhar um alto fim!... E toda a alma heróica deste povo Sinto-a sonhar e delirar em mim... Ah! como é bela a Vida ansiosa, inquieta, Ah! como é grande e belo navegar! - Sou marinheiro porque sou Poeta, - Vinde comigo, vamos para o Mar! Ah! como é bela a ânsia desmedida Que nos dilata o peito, a estremecer, E nos exalta e nos dilata a vida, E nos levanta e diviniza o ser! Ó meus avós - heróis da Descoberta, Quero ir convosco pelos mares fora... É a vossa alma que hoje em mim desperta É o vosso coração que eu sinto agora! Vamos todos para o Mar!... Se acaso o Mundo Estreito fôr pra tanta ansiedade, Vamos às Índias que há no céu profundo, Vamos cruzar, correr a Imensidade!... Numa divina ancião ergueu os braços, Livre já das algemas, para o Céu! - Há muitos sóis brilhando nos espaços, - Vamos roubá-los como Prometeu!... Há mundos novos para arrancar á Treva, Muitas venturas pra roubar á Dor... - Partamos todos numa ardente leva, Erguendo ao alto pavilhões de Amôr! No mar profundo e vasto do Futuro Há muitas Índias para descobrir... Vamos abrir à luz o Oceano escuro, Vamos tocar ás praias do Porvir!... É embarcar e partir, com ansiedade! - Vamos buscar aos horizontes novos, Índias -novas de Amor e liberdade, E mais luz e justiça para os Povos!... É olhar o Passado! - Olhai-ó vós Com bons olhos de Amor... E escutai! - E toda a História que se escuta em nós, - Vêde a maré de glória que ahi vai! Deitai barcos ao Mar! Eh! - marinheiros! Que esperais vós, então? - Vá, embarcar!... - Nós somos inda os mesmos marinheiros, - É este ainda o mesmo antigo Mar! O mundo é sempre novo, - ó meus amigos! E o Futuro é imenso e o Ideal... - Embarcamos para o Mar como os antigos, - Que este é ainda o mesmo Portugal!
 
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