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Exercício de digitação: "A Velha Disciplina" Júlio Dumont

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Exercício de digitação: "A Velha Disciplina" Júlio Dumont

feche e comece a digitar
Enquanto cá por fora o povo em romaria Ia buscar ao campo a rústica alegria, Enquanto os beberrões de capa de cambraia Passeavam andor's nos sítios d'Atalaia, Na torre negregada, a bastilha do mar, Uma tragédia triste estava-se a passar. Quem as ondas domou, domou o furacão, Da tempestade riu e zombou do trovão, Quem viu o vasto oceano em vagas tormentosas Tornar em vivo inferno um lindo mar de rosas, Quem nunca vacilou em arriscar a vida Sustendo do gentio a rude arremetida, Estava ali curvado, a fronte bem submissa, Com sede de razão à espera de justiça. Nas suas almas sãs de bravos marinheiros Todos uma família, amigos e companheiros, Onde só a exceção pôs vis denunciantes, Trastes sem cotação, eméritos tratantes, Havia cor-de-rosa a lisonjeira esp'rança De ver luzir no céu o arco da bonança. E quem estava ali ouvindo o julgamento, Vendo tudo cair sem base ou fundamento, Quem via soçobrar a velha acusação De tétrica revolta ou negra sedição, Quem via que um protesto unânime, geral, Fora do movimento a causa inicial, Calculava que o fim de tanta crueldade Seria um ato bom de generosidade. Porém, surgiu ali a D. Disciplina, Cabelo em desalinho, a garra que é tigrina Adunca e colossal; a histérica madona, A serôdia vestal, a bélica matrona, Tinha sido ofendida em seu pudor imenso, Um pudor que rescende a perfumes e incenso. Oh! não! bradou convulsa; oh! não, não pode ser? Não pode haver piedade, eu quero-os ver sofrer! Que importa o coração? Enterre-se a bondade, É preciso um exemplo a toda a humanidade! Sofram os bofetões, as rudes chibatadas, Os dias no porão, as algemas fechadas, Tenham do pão e água o efêmero alimento, Tudo o que o meu poder impõe como tormento! Nem um gesto sequer de simples desagrado, Senão, se ouço gritar... verão o resultado! Esta torre aqui 'stá, conhece muita mágoa, Nas úmidas prisões entra em cachões a água; Quem não me obedecer há de rolar no abismo, Morrerá como um cão, de dor's e reumatismo. Findou a inquisição, diz se p'r'aí a esmo. A torre 'inda cá está, e vem a dar no mesmo! E com imensa dor, os peitos palpitantes, Lágrimas o brotar de mães pobres velhinhas, Na branca lividez de esposas soluçantes, Nos choros infantis de pobres criancinhas, Levantando a cabeça em gargalhada f'rina, 'Inda mais uma vez venceu a Disciplina! Ó velha Disciplina, ó serôdia vestal De palmito e capela, os cabelos pintados, A virginal grinalda, à laia de avental, O rosto convulsivo a desfazer-se em brados. Ó ginja delambida, ó velha sem razão, Vamos fazer autopsia ao vosso coração. Sabeis o que é amar, ter mãe e ter irmãs, Velhas a sustentar, crianças a manter, Noivas todas paixão em suas almas sãs O futuro, uma vida, a aspiração dum ser? Não o sabeis decerto, ó bélica matrona Austera Disciplina, ó velha solteirona. Quem não se quis curvar à vossa tirania Tem de gemer ali em fúnebre masmorra, Liberdade, Igualdade, isso é uma utopia É vosso o mundo inteiro, e quem protestar: morra! Ó como é triste e vil, o mundo, a humanidade Quando não quer subir ao sólio da bondade. Onde tendes matrona, o coração sensível Próprio dum peito bom, que tem ao rigor asco Que dita uma sentença ignóbil e terrível Com toda a placidez dum cínico carrasco. Onde guardais essa alma, escura, empedernida, Que incensando o rigor dispõe de muita vida?... Remirando os galões, bonitos reluzentes, Onde a vaidade pôs cintilações a rodos, Julgai-vos superior a todos os mais entes Nascidos como vós, mortais como nós todos. E senhora feudal, ó velha Disciplina Cravais a garra adunca, a tétrica assassina! Lá vão tristes viver em lúgubres prisões Em climas de matar os pobres marinheiros, Anos a soluçar na febre das paixões, As saudades dos seus, o amor dos companheiros. Condenados, porquê? Por terem dignidade. O espírito do bem, da solidariedade! E vós, velha matrona a rir como perdida Talvez inda acheis pouco o rude sofrimento; Onde é que vos guardais ó velha delambida As mais simples noções do humano sentimento? Não pode haver autopsia ao vosso coração... Ó velha Disciplina, ó estupido chavão! Enquanto o povo inteiro, os peitos soluçantes Esperava de vós um ato de justiça, De código na mão os olhos coruscantes Eivada de rancor entraveis já da liça E de boca a espumar, terrível colossal, Ditáveis a sentença onde imperava o mal. Ó velha Disciplina, ó tola potestade, Ó fúnebre espantalho, ó velha rabugenta. Deixai essa "imposant" de grande majestade Que no século vinte é triste e não se aguenta. A cova está aberta, entrai, ó Disciplina, Cavou-a esse rigor: morrei, ó assassina!
 
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